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sábado, 9 de abril de 2011

Como se Tornar um H4CK3R?

O que é um Ráquer?

O Arquivo dos Jargões contém um monte de definições para o termo ‘ráquer’[1], a maioria ligadas à proficiência técnica e deleite em resolver problemas e ultrapassar limites. Entretanto se você quer saber como se tornar um ráquer somente duas delas são realmente relevantes.

Existe uma comunidade, uma cultura compartilhada de programadores mestres peritos em redes cuja a história remonta décadas atrás até os primeiros minicomputadores de tempo compartilhado e os primeiros experimentos com a ARPAnet. Os membros dessa cultura originaram o termo ‘ráquer’. Os ráqueres construíram a Internet. Os ráqueres fazem do sistema operacional Unix o que ele é hoje. Os ráqueres mantém a Usenet. Os ráqueres fazem a WWW funcionar. Se você faz parte dessa cultura, se você contribuiu nela e outras pessoas nela o conhecem e o chamam de ráquer, você é um ráquer.

O espírito e mentalidade dos ráqueres não está limitado somente a esta cultura dos ráqueres de software. Existem pessoas que aplicam a atitude ráquer à outras coisas, como eletrônica ou música — na verdade você pode achá-la nos mais altos níveis intelectuais de qualquer ciência ou arte. Os ráqueres de software reconhecem esse espírito aparentado em outros lugares e podem chamá-los de ‘ráqueres’ também — e alguns dizem que a natureza ráquer é de fato independente do meio particular no qual o ráquer trabalha. Mas no resto deste documento iremos nos concentrar nas habilidades e atitudes dos ráqueres de software, e nas tradições da cultura compartilhada que originou o termo ‘ráquer’.

Existe um outro grupo de pessoas que aos berros se dizem ráqueres mas não são. Estes (na maioria adolescentes do sexo masculino) são aqueles que se divertem invadindo computadores e fraudando o sistema telefônico. Ráqueres de fato chamam estas pessoas de ‘cráqueres’ (crackers), e nada tem haver com eles. Os ráqueres reais na maioria acham que cráqueres são preguiçosos, irresponsáveis e não muito espertos, lembrando que ser capaz de burlar a segurança irá torná-lo um ráquer tanto quanto ser capaz de fazer ligações diretas em carros irá torná-lo um engenheiro automotivo. Infelizmente muitos jornalistas e escritores são enganados a usar a palavra ‘ráquer’ para descrever cráqueres; isto irrita um ráquer de verdade deveras.

A diferença básica é: ráqueres constroem coisas, cráqueres as destroem.

Se você quer ser um ráquer, continue lendo. Se você quer ser um craquer, vá ler o grupo de notícias alt.2600 e prepare-se para fazer cinco ou dez anos na prisão depois de descobrir que você não era tão esperto quanto pensava que era. E isso é tudo que eu vou falar sobre cráqueres.

A Atitude Ráquer

Ráqueres resolvem problemas e criam coisas, e eles acreditam na liberdade e na ajuda mútua voluntária. Para ser aceito como um ráquer você deve agir como se você mesmo tivesse esse tipo de atitude. E para se comportar como se você tivesse esse tipo de atitude você deve de fato acreditar nela.

Mas se você pensa em cultivar as atitudes de um ráquer só para ser aceito na cultura você irá perder a questão. Tornar-se o tipo de pessoa que acredita nessas coisas é importante para você — para ajudá-lo no aprendizado e mantê-lo motivado. Como na maioria das artes criativas o melhor modo de se tornar um mestre é imitar o espírito e mentalidade dos mestres — não só intelectualmente mas também emocionalmente.

Ou como o seguinte poema Zen moderno dita:


Para trilhar o caminho:
olhe para o mestre,
siga o mestre,
ande com o mestre,
olhe através do mestre,
torne-se o mestre.

[5]

Portanto se você quiser se tornar um ráquer repita as seguintes máximas até que você acredite nelas:

1. O mundo está repleto de problemas fascinantes esperando para serem resolvidos.

Ser um ráquer é muito divertido mas é o tipo de diversão que exige muito esforço. O esforço exige motivação. Atletas de sucesso conseguem motivação apartir de um tipo de prazer físico em trabalhar seus corpos, em se esforçarem para ultrapassar seus próprios limites físicos. Da mesma forma, para ser um ráquer, você deve ter um ardente desejo em resolver problemas, aperfeiçoar suas técnicas e exercitar sua inteligência.

Se você não é o tipo de pessoa que sente isso naturalmente será preciso tornar-se uma para se fazer um ráquer. De outro modo você irá descobrir que sua energia para a raqueação [6] será roubada por distrações como sexo, dinheiro e aprovação social.

(Você também deverá desenvolver um tipo de fé na sua própria capacidade de aprendizado — acreditar que apesar de você não saber todo o necessário para resolver um problema se você se concentrar em uma pequena parte dele e aprender a partir deste ponto você irá aprender o suficiente para resolver a próxima parte — e assim por diante, até você terminar.)

2. Nenhuma problema deve ser resolvido duas vezes.

As mentes criativas são um recurso valioso e limitado. Elas não devem ser desperdiçadas re-inventando a roda quando existem tantos outros novos problemas fascinantes esperando por aí a fora.

Para agir como um ráquer você deve acreditar que o tempo de outros ráqueres é precioso — tanto que é quase um dever moral você compartilhar informação, resolver problemas e depois expor as soluções, só para que outros ráqueres possam resolver novos problemas em vez de ficar perpetuamente se preocupando com os antigos.

Note no entanto que "Nenhum problema deve ser resolvido duas vezes." não implica que você deve considerar todas as soluções existentes sagradas ou que exista somente uma solução para um dado problema. É comum nós aprendermos muito sobre um problema que nós não conhecíamos antes estudando inicialmente em uma solução. Tudo bem, e geralmente necessário, decidir que nós podemos fazer melhor. O que não é tudo bem são barreiras tecnológicas, legais, institucionais ou artificiais (como código-fonte fechado) que previne uma boa solução de ser reutilizada e força as pessoas a reinventarem rodas.

(Você não precisa acreditar que é obrigatório dar e expor todo seu produto criativo, muito embora os ráqueres que o fazem são os mais respeitados por outros ráqueres. É algo consistente com os valores ráquer vender o suficiente do seu trabalho para conseguir comida, aluguel e computadores. Tudo bem se você utilizar suas habilidades ráquer para criar uma família ou até ficar rico, desde que você não esqueça sua lealdade a sua arte e aos seus amigos ráqueres ao fazê-lo.)

3. Tédio e trabalho repetitivo são maléficos.

Os ráqueres (e pessoas criativas em geral) nunca devem se entediar ou fatigar-se com trabalho repetitivo estúpido porque quando isso acontece significa que eles não estão fazendo o que somente eles podem fazer — resolver novos (e interessantes) problemas. Este desperdício machuca todo mundo. Desse modo tédio e trabalho penoso não são somente desagradáveis mas na verdade maléficos.

Para agir como um ráquer você deve acreditar nisso o suficiente para querer automatizar as partes chatas o máximo possível, não só para você mas para outros também (especialmente outros ráqueres).

(Existe uma exceção aparente nisso. Os ráqueres as vezes irão fazer coisas que podem parecer repetitivas ou chatas para um observador, como um exercício de limpeza mental, ou como forma de adquirir uma habilidade ou passar por uma experiência em particular que seria impossível adquirir ou fazer de outro modo. Mas isso é uma opção — nenhum ser pensante deve ser forçado a uma situação que o deixe entediado.)

4. Liberdade é bom.

Ráqueres são naturalmente anti-autoritários. Qualquer um que possa lhe dar ordens poderá impedi-lo de solucionar qualquer problema que você esteja fascinado — e dado o modo que as mentes autoritárias trabalham elas geralmente irão encontrar uma razão terrivelmente estúpida para isso. Portanto a atitude autoritária deve ser combatida aonde quer que você a encontre, para que ela não oprima você e outros ráqueres.

(Isto não é o mesmo que combater toda autoridade. Crianças devem ser educadas e criminosos contidos. Um ráquer pode concordar em aceitar alguns tipos de autoridade para conseguir alguma coisa que ele deseja mais do que o tempo que ele gasta seguindo ordens. Mas esta é uma barganha limitada e consciente; o tipo de rendição que os autoritários desejam não está em oferta).

Autoritários prosperam na censura e no segredo. E eles desconfiam da cooperação voluntária e troca de informações — eles apreciam somente a ‘cooperação‘ que eles controlam. Dessa forma, para agir como um ráquer, você deve desenvolver uma hostilidade instintiva à censura, ao segredo, e ao uso da força ou fraude para compelir adultos responsáveis. Você deve estar de acordo a agir nessa crença.

5. Atitude não é substituto da competência.

Para ser um ráquer você deve desenvolver todas estas atitudes. Mas somente copiar uma atitude não irá torná-lo um ráquer, assim como não irá torná-lo um atleta campeão ou uma estrela do rock. Tornar-se um ráquer vai tomar inteligência, prática, dedicação e trabalho árduo.

Conseqüêntemente você precisa aprender a desconfiar de atitudes e respeitar todo tipo de competência. Os ráqueres não irão deixar pessoas que posam desperdiçar o seu tempo mas irão apreciar competência — especialmente competência na raqueação; mas competência em qualquer coisa é valorizada. Competência em habilidades exigentes que poucos conseguem dominar é especialmente bom, e competência em habilidades exigentes que envolvem agudez mental, perícia e concentração é ótimo.

Se você respeita competência você irá apreciar desenvolvê-la em você mesmo — o trabalho árduo e dedicação irá se tornar uma espécie de jogo intenso e divertido, ao invés de trabalho penoso. Essa atitude é vital para se tornar um ráquer.

Habilidades Básicas da Raqueação

A atitude ráquer é vital, mas as habilidades são ainda mais. Atitude não substitui a competência, e existe um certo conjunto de habilidades as quais você deve ter antes que qualquer ráquer venha a sonhar em chamá-lo de um.

Este conjunto se modifica vagarosamente de tempos em tempos assim como a tecnologia cria novas técnicas e tornam as velhas obsoletas. Por exemplo, costumava-se incluir programação em linguagem de máquina e até recentemente HTML não estava incluído. Mas agora está bem claro que se incluem as seguintes habilidades:

1. Aprenda a programar.

Esta, claro, é a habilidade fundamental da raqueação. Se você não sabe nenhuma linguagem de programação eu recomendo começar com Python. Ela é projetada de forma clara, bem documentada, e relativamente amigável com iniciantes. Apesar de ser uma ótima primeira linguagem ela não é somente um brinquedo; ela é muito poderosa, flexível e muito conveniente para grandes projetos. Eu escrevi umaavaliação sobre Python mais detalhada. Bons tutoriais estão disponíveis no sítio na web do Python.

Eu cosumava recomendar Java como uma boa linguagem para aprender cedo mas esta crítica mudou minha opinião (procure nela por "As Armadilhas de Java como Primeira Linguagem de Programação" — "The Pitfalls of Java as a First Programming Language"). Um ráquer não pode, como eles devastadoramente colocam "abordar resolução de problemas como um encanador em uma loja de ferramentas"; você deve saber o que os componentes de fato fazem. Agora eu acho que é provavelmente é melhor aprender C e Lisp primeiro, depois Java.

Se você se envolver com programação séria você vai precisar aprender C, a linguagem central do Unix. C++ está muito ligada a C; se você conhece uma conhecer a outra não vai ser difícil. Todavia nenhuma das duas é uma boa opção para começar a aprender. E, na realidade, quanto mais você evitar programar em C mais produtivo você será.

C é muito eficiente e muito econômica com os recursos da maquina. Infelizmente C consegue essa eficiência e economia exigindo que você faça um monte de gerenciamento de baixo nível nos seus recursos (como memória) à mão. Todo esse código baixo nível é complexo e suscetível a erros, e irá sugar um montante imenso do seu tempo com depuração. Com as máquinas atuais, tão poderosas como elas são, essa é uma troca ruim — é mais inteligente utilizar uma linguagem que utilize o tempo de máquina ineficientemente, mas que utiliza o seu tempo eficientemente. Deste modo, Python.

Outras linguagens de importância particular para os ráqueres são Perl e LISP. É válido aprender Perl por razões práticas; ela é muito usada para páginas da web ativas e sistemas de administração; portanto mesmo que você nunca escreva nada em Perl você deve pelo menos ler Perl. Muitas pessoas utilizam Perl do modo como eu sugeri que você utilizasse Python, para evitar programação em C onde não é necessário total eficiência da máquina. Você vai precisar entender o código deles.

Vale a pena aprender LISP por outro motivo — a profunda e esclarecedora experiência que você vai ganhar quando finalmente você entender LISP. Esta experiência vai torná-lo um melhor programador para o resto de sua vida, mesmo que você não utilize muito LISP por si só. (Você pode ter alguma experiência introdutória com LISP modificando e editando modos para o editor de texto Emacs, ou pluginsdo Script-Fu para o GIMP.)

O melhor, na realidade, é aprender as cinco: Python, Java, C/C++, Perl, e LISP. Além do fato de serem as mais importantes linguagens da raqueação, elas representam abordagem muito diferentes da programação e cada uma irá educá-lo de formas valorosas.

Mas fique avisado que você não vai alcançar o nível de habilidade de um ráquer ou nem mesmo de um mero programador simplesmente acumulando linguagens — você precisa aprender a pensar sobre problemas de programação de uma forma geral independente de qualquer linguagem. Para se tornar um ráquer de verdade você precisa chegar ao ponto de ser capaz de aprender uma nova linguagem em alguns dias relacionando o que está no manual com o que você já sabe. Isto significa aprender diversas linguagens diferentes.

Eu não posso dar instruções completas de como aprender a programar aqui — é uma habilidade complexa. Mas eu posso dizer que livros e cursos não serão suficientes — muitos, talvez quase todos dos melhores ráqueres são autodidatas. Você pode aprender as características de uma linguagem — pedaços de conhecimento — dos livros, mas o espírito e mentalidade que irá tornar todo esse conhecimento em uma habilidade viva só pode ser adquirida pela prática e aprendizagem. O que você irá precisar fazer é (a) ler código e (b) escrever código.

Peter Norvig, um dos melhores ráqueres do Google e co-autor do manual mais utilizado em IA, escreveu um ensaio excelente chamado "Teach Yourself Programming in Ten Years". Sua "receita para o sucesso na programação" vale uma atenção cuidadosa.

Aprender a programar é como aprender a escrever bem uma linguagem natural. O melhor jeito é ler algum material escrito pelos mestres da arte e escrever algumas coisas você mesmo; ler um pouco mais, escrever um pouquinho mais, ler mais um pouco, escrever mais um tanto ... e repetir até que seus escritos estejam começando a desenvolver a força e economia que você encontra em seus modelos.

Achar código bom para ler costumava ser difícil por que haviam poucos programas grandes com o código fonte disponível para os ráqueres novatos brincarem e remendarem. Isto mudou de forma dramática; programas código-livre, ferramentas para programação e sistemas operacionais (todos feitos por ráqueres) estão agora largamente disponíveis. O que me leva claramente para o nosso próximo tópico...

2. Pegue um dos Unixes código-livre e aprenda a usá-lo e rodá-lo.

Estou assumindo que você possui um computador pessoal ou pode ter acesso a um. (Pare um momento para apreciar o quanto isso significa. A cultura ráquer originalmente se desenvolveu quando computadores eram tão caros que indivíduos não podiam comprá-los.) O passo mais importante e decisivo que um **novato** pode tomar no caminho para adquirir habilidades ráquer é conseguir uma cópia do Linux, ou de algum dos Unixes-BSD, ou OpenSolaris, instalá-la numa máquina pessoal e rodá-la.

Sim, existem outros sistemas operacionais no mundo fora o Unix. Mas eles são distribuídos em binário — você não pode ler o código e você não pode modificá-lo. Tentar aprender a raquear numa máquina com o Microsoft Windows ou qualquer outro sistema código-fechado é como aprender a dançar com o corpo engessado.

Com o OS/X é possível mas somente parte do sistema é código-livre — você provavelmente irá se deparar com um monte de muralhas e você deve ter cuidado para não desenvolver o mal hábito de depender do código proprietário da Apple. Se você se concentrar no Unix por debaixo da capa [7] você pode aprender alguma coisa útil.

O Unix é o sistema operacional da Internet. Enquanto você pode aprender a utilizar a Internet sem conhecer o Unix não dá para ser um ráquer da Internet sem entender o Unix. É por essa razão que a cultura ráquer é um tanto quanto centrada no Unix. (Isso nem sempre foi verdade e alguns ráqueres da velha-guarda ainda não estão felizes com isso, mas a simbiose entre o Unix e a Internet se tornou forte o suficiente que nem mesmo os músculos da Microsoft são capazes de danificá-la seriamente.)

Então consiga um Unix — eu mesmo gosto do Linux, mas existem outras opções (e sim, você pode rodar ambos Linux e Microsoft Windows na mesma máquina). Aprenda-o. Rode-o. Emende-o. Fale com a Internet com ele. Leia o código. Modifique o código. Você vai conseguir os melhores utilitários para programação (incluindo C, LISP, Python, e Perl) do que qualquer sistema operacional da Microsoft nem mesmo sonha em ter. Você vai se divertir e você vai sugar mais conhecimento do que se dá conta que está aprendendo, até olhar para trás como um mestre ráquer.

Para mais no apredizado do Unix veja The Loginataka (O Loginataka). Você pode também querer dar uma olhada no The Art Of Unix Programming (A Arte Da Programação Unix).

Para por as mãos no Linux veja o sítio Linux Online!; você pode fazer o download de lá ou (ainda melhor) encontrar algum grupo de usuários do Linux para ajudá-lo com a instalação.

Durante os primeiros dez anos de vida desse howto eu relatei que do ponto de vista de um usuário novato todas as distribuições são quase equivalentes. Mas em 2006-2007 uma opção melhor apareceu:Ubuntu. Enquanto outras distribuições tem as suas áreas de força a Ubuntu é de longe a mais acessível para novatos Linux.

Você pode achar ajuda e fontes do Unix BSD no www.bsd.org

Uma boa maneira de sentir o gostinho [8] é carregar o que os fãs do Linux chamam de live CD, uma distribuição que roda diretamente de um CD sem precisar modificar o seu disco rígido. Isso vai ser lento, por que CDs são lentos, mas é uma forma de dar uma olhada nas possibildiade sem ter que fazer qualquer coisa drástica.

E escrevi um manual para iniciantes no basics of Unix and the Internet (Fundamentos do Unix e da Internet).

Eu costumava não recomendar a instalação tanto do Linux quanto do BSD como um projeto solo se você for um novato. Os instaladores se tornaram bons o suficiente que hoje em dia é possível você mesmo fazer todo o processo, mesmo para um novato. De qualquer modo eu ainda recomendo entrar em contato com seu grupo de usuários Linux local e pedir ajuda. Não vai doer nada e pode facilitar o processo.

3. Aprenda como usar a Grande Teia Mundial (WWW) e escrever HTML.

A maioria das coisas que a cultura ráquer construiu faz o seu trabalho as escondidas, ajudando a rodar fábricas, escritórios e universidades sem nenhum impacto óbvio na vida dos não-ráqueres. A Web é a grande exceção, o grandioso e ilustre brinquedo ráquer que até políticos admitem estar mudando o mundo. Por essa razão (e muitas outras boas razões também) você precisa aprender a trabalhar com a WWW.

Isto não significa somente aprender a mexer num navegador (qualquer um pode fazer isso), mas aprender como escrever HTML, a linguagem de marcação da Web. Se você não sabe como programar escrever HTML irá ensiná-lo alguns hábitos mentais que irão ajudá-lo a aprender. Então construa uma home page. Tente aderir ao XHTML que é uma linguagem mais clara que o clássico HTML. (Existem bons tutoriais para iniciantes na Web; aqui está um.)

Mas somente ter uma home page nem é algo bom o bastante para fazê-lo um ráquer. A Web está cheia de home pages. A maioria delas são sem propósito, lixos sem conteúdo — lixos enfeitados, se você se importa, mas lixos da mesma forma (para mais detalhes veja The HTML Hell Page).

Para valer a pena sua página deve ter conteúdo — ela deve ser interessante e/ou útil para outros ráqueres. E isso nos leva diretamente para o próximo tópico...

4. Se você não possui Inglês funcional, aprenda.

Como um americano, e falante nativo da língua inglesa, eu anteriormente vinha relutando em sugerir isso, para que não fosse entendido como uma forma de imperialismo cultural. Mas diversos falantes de outras línguas me encorajaram a apontar o inglês como a língua de trabalho da cultura ráquer e da Internet. E você vai precisar aprendê-la para agir na comunidade ráquer.

Por volta aos 1991 eu aprendi que muitos ráqueres que tinham o inglês como segunda língua a utilizavam em discussões técnicas mesmo quando eles possuíam a mesma língua nativa; me foi reportado na época que o Inglês tinha um vocabulário técnico mais rico que qualquer outra língua e portanto era apenas uma melhor ferramenta para o trabalho. Por razões similares, traduções de materiais técnicos escritos em inglês são comumente insatisfatórios (quando estas são terminadas por completo).

Linus Torvalds, um finlandês, comenta seu código em Inglês (e aparentemente nunca lhe ocorreu de fazer diferente). Sua fluência em inglês tem sido um fator importante na sua habilidade de recrutar um comunidade mundial de desenvolvedores para o Linux. É um exemplo que vale a pena seguir.

Ter o Inglês como língua nativa não garante que você tenha habilidade suficiente para trabalhar como um ráquer. Se os seus escritos são semi-literários, antigramaticais, crivado de erros ortográficos, muitos ráqueres (incluindo eu mesmo) irão ignorá-lo. Enquanto escritores piegas não necessariamente implicam pensadores piegas nós geralmente achamos a correlação forte — e não vemos utilidade em pensadores piegas. Se você não tem competência na escrita, aprenda.

Reputação na Cultura Ráquer

Como na maioria das culturas sem uma economia monetária a dos ráqueres trabalha baseada na reputação. Você está tentando resolver problemas interessantes mas quão interessantes eles são e o quanto suas soluções são realmente boas é algo que somente seus colegas técnicos ou superiores são normalmente capazes de julgar.

Conseqüentemente quando você joga o jogo ráquer você aprende a ganhar pontos, antes de mais nada, apartir do que outros ráqueres acham de suas habilidades (por isso você nunca vai ser um ráquer até que consistentemente outros ráqueres o chame de um). Esse fato é obscurecido pela imagem que a raqueação tem de ser um trabalho solitário; também por um tabu cultural ráquer (agora decaindo gradualmente desde a década de 90, mas ainda potente) em admitir que o ego, ou reconhecimento, está envolvido na motivação de alguém no final das contas.

Especificamente, a cultura ráquer é algo que os antropologistas chamam de cultura de doação. Você ganha posicionamento e reputação nela não dominando outras pessoas, nem sendo bonito, nem tendo coisas que as pessoas querem, mas especialmente dando coisas aos outros. Especificamente dando aos outros seu tempo, sua criatividade e os resultados de suas habilidades.

Existem basicamente cinco coisas que você pode fazer para ser respeitado por ráqueres:

1. Escreva programas código-livre

A primeira (e a mais central e tradicional delas) é escrever programas que outros ráqueres achem divertidos ou úteis e dar o código fonte para que toda a cultura ráquer possa usar.

(Nos costumávamos chamar estes trabalhos de “software livre”, mas este termo confunde muitas pessoas que não estão certas exatamente do significado da palavra “livre”. A maioria de nós, pelo menos na taxa de 5:1, de acordo com analise do conteúdo da web, agora prefere o termo programa “código-livre”).

Os mais reverenciados ídolos da cultura ráquer são pessoas que escreveram programas grandes, competentes, que solucionam uma necessidade comum e os distribuíram para que todos pudessem usar.

Mas existe um ponto histórico interessante aqui. Enquanto os ráqueres sempre olharam para os desenvolvedores de código-livre entre eles como sendo nosso núcleo mais sólido antes da metade dos 1990 a maioria a maior parte dos ráqueres, na maior parte do tempo, trabalhavam em código-proprietário. Isso ainda era verdade quando eu escrevi a primeira versão desse HOWTO em 1996; as coisa só foram mudar quando a idéia de código-livre se tornou conhecida pelo público geral depois de 1997. Hoje "a comunidade ráquer" e "os desenvolvedores código-livre" são duas descrições para o que essencialmente são a mesma cultura e população — mas vale lembrar que nem sempre foi desse modo.

2. Ajude a tester e depurar software código-livre

Nesse mundo imperfeito, nós iremos inevitavelmente gastar a maioria do nosso tempo de desenvolvimento na fase de depuração. É por isso que um autor de código-livre que pensa irá dizer que bons avaliadores-beta (aqueles que sabem descrever de forma clara os sintomas, localizar problemas, podem tolerar erros em uma versão de ultima hora e estão loucos para aplicar pequenas rotinas de diagnóstico) tem seu valor avaliado em rubis. Até um só desses pode fazer a diferença entre as fases de depuração que são prolongadas, um pesadelo exaustivo, ou as que são apenas uma mera e saudável chateação.

Se você é um novato tente achar algum programa em desenvolvimento no qual você esteja interessado e seja um bom avaliador-beta. Existe uma progressão natural em ajudar programas em teste, ajudar a depurar programas em teste para ajudar a modificá-los. Você vai aprender muito dessa maneira e irá gerar um bom karma com pessoas que irão ajudá-lo mais tarde.

3. Publique informação útil

Outra coisa boa é coletar e filtrar informação útil e interessante em páginas da web, ou documentos, em forma de lista de Perguntas Mais Freqüêntes (FAQ), e deixá-los disponíveis.

Mantenedores dos maiores FAQs técnicos conseguem tanto respeito quanto um autor de código-livre.

4. Ajude a manter a infra-estrutura funcionando

A cultura ráquer (e o desenvolvimento de engenharia da Internet) é mantida por voluntários. Existe uma grande variedade de trabalho sem glamour, mas necessário, e que deve ser feito para manter tudo em ordem — administrar listas de email, moderar grupos de notícias, manter um grande site de arquivos de programas, desenvolver RFCs e outros padrões técnicos.

Pessoas que fazem esse tipo de coisa ganham muito respeito, porque todos sabem que esses trabalhos são um imenso consumo de tempo, e nada divertido quanto brincar com códigos. Fazer esse tipo de coisa demonstra dedicação.

5. Sirva à cultura ráquer

Finalmente, você pode servir e propagar a cultura por si só (por exemplo escrevendo um guia acurado de como se tornar um ráquer :-)). Isto é algo que você só terá posicionamento para fazer depois de ficar algum tempo na área, e se tornar bem conhecido por alguma das quatro primeiras coisas acima.

A cultura ráquer não possui líderes exatamente, mas possui heróis, “chefes tribais”, historiadores e porta-vozes. Quando você já estiver pelas trincheiras por tempo suficiente, você pode se tornar um desses. Tome cuidado: ráqueres desconfiam de egos arrogantes em seus “anciões tribais”. Portanto buscar visivelmente por este tipo de fama é perigoso. Em vez de buscá-la, você meio que se posicionar e esperar para que então ela caia sobre seu colo, e aí então seja modesto e gracioso com a sua posição.

A conexão entre Ráquer/Nerd

Ao contrário do mito popular você não precisa ser um nerd para se tornar um ráquer. Contudo isso ajuda, e muitos ráqueres são de fato nerds. Ser um pária social ajuda você a se manter concentrado no que realmente importa, como pensar e raquear.

Por esta razão muitos ráqueres adotaram o rótulo ‘geek’ como uma insígnia de orgulho — é uma forma de declarar independência das expectativas normais da sociedade (assim como apreciação por outras coisas como ficção científica ou jogos de estratégia que geralmente fazem parte de ser um ráquer). O termo ‘nerd’ costumava ser usado para esse fim antigamente em 1990, quando ‘nerd’ era um mero pejorativo e ‘geek’ um pouco mais agressivo, e até existe hoje uma cultura orgulhosa em ser geek entre pessoas não ligadas a tecnologia.

Se você dá conta de se concentrar o suficiente para o raquear, ser bom nisso e ainda ter uma vida, está tudo bem. Isto é muito mais fácil do que era por volta dos 1970; a cultura social é muito mais amigável a tecno-nerds hoje em dia. Até dxistem um número crescente de pessoas percebendo que ráqueres são geralmente amantes de alta qualidade e ótimos maridos/esposas.

Se você foi atraído para a raqueação pelo fato de você não ter uma vida, está tudo bem também — pelo menos você não irá ter problemas em se concentrar. Talvez você consiga uma vida mais tarde.

Questões sobre o Estilo

Novamente, para se tornar um ráquer, você deve penetrar na forma de pensar e agir um ráquer. Existem algumas coisas que você pode fazer quando você não está no computador que parecem ajudar. Elas não são substituições para a raqueação (nada realmente é) mas muitos ráqueres as fazem e acham que elas estão conectadas de alguma forma básica com a essência da raqueação.

  • Aprenda a escrever bem a sua língua nativa. Embora seja um esteriótipo comum que programadores não sabem escrever um número surpreendente de ráqueres (incluindo os mais completos que eu conheço) são escritores muito habéis.

  • Leia ficção científica. Apresente-se em convenções de ficção científica (um bom modo de encontrar ráqueres e proto-ráqueres).

  • Pratique artes marciais. O tipo de disciplina mental que as artes marciais necessitam parece ser muito similar de várias formas importantes com o que ráqueres fazem. As formas mais populares entre ráqueres sem dúvida são as artes asiáticas de luta a mão como Tae Kwon Do, Karate, Wing Chun, Aikido, ou Jiu Jitsu. A esgrima ocidental e as artes asiáticas com a espada também possuem seguidores visíveis. Em lugares onde é legal, o tiro com a pistola tem ganhado popularidade desde 1990. As artes mais raquerianas são aquelas que efatizam na disciplina mental, relaxamento e controle, acima do interesse na força, atletismo ou capacidade física.

  • Estude um disciplina de meditação. A mais favorita e perene entre os ráqueres é o Zen (importante: é possível usufruir dos benefícios do Zen sem adquirir alguma religião ou descartar qualquer uma que você possui). Outros estilos podem funcionar da mesma forma, mas seja cuidadoso para escolher alguma que não necessite a crença em coisas malucas.

  • Desenvolva uma apuração análitica para a música. Aprenda a apreciar tipos peculiares de música. Aprenda a tocar bem algum instrumento, ou a cantar bem.

  • Desenvolva sua apreciação por advinhações e trocadilhos.

Quanto mais dessas coisas você já pratica mais você naturalmente possui o biotipo ráquer. Por que estas coisas em particular não é completamente claro, mas elas estão conectadas com o misto das habilidades dos lados esquerdo e direito do cérebro que parece ser importante; ráqueres precisam ser passíveis tanto da razão lógica quanto da possibilidade repentina de pisar fora da lógica aparente de um problema.

Trabalhe tão intensamente quanto você brinca, e brinque tanto quanto você trabalha. Para verdadeiros ráqueres os limites entre "jogar", "trabalhar", "ciência" e "arte" tendem a desaparecer, ou imergir para um nível elevado de criatividade. Também não fique contente com uma pequena lista de habilidades. Apesar de ráqueres serem identificados como programadores eles são facilmente competentes em várias outras habilidades — administração de sistemas, projetista da web e técnico de hardware são comuns. Um ráquer que é um administrador de sistema, por outro lado, pode ser bem habilidoso em programação em script e projetismo para web. Ráqueres não fazem as coisas pela metade; se eles investem em uma habilidade eles tendem a ficar muito bons nela.

Finalmente algumas coisas para não fazer.

  • Não use nomes de usuário, ou IDs, grandiosos ou infantis.

  • Não entre em guerrinhas na Usenet (ou em qualquer outro lugar).

  • Não se chame de ‘cyberpunk’, e não perca tempo com qualquer um que o faça.

  • Não envie email com o texto cheio de erros de gramática e ortografia.

A única reputação que você irá conseguir fazendo alguma dessas coisas é a de um twit [9]. Ráqueres tem boa memória — pode levar anos até que você se reabilite o suficiente para ser aceito.

O problema com pseudônimos e nicks merecem uma amplificação. Ocultar sua identidade atrás de um pseudônimo é uma atitude infantil e boba, característica de craqueres, warez d00dz, e outras formas de vida inferiores. Ráqueres não fazem esse tipo de coisa: eles são orgulhosos do que são e querem tudo isso ligado aos seus nomes reais. Então se você tem um pseudônimo largue-o. Na cultura ráquer ele irá somente marcá-lo como um perdedor.

Outras Fontes de Informação

Paul Graham escreveu um ensaio chamado Great Hackers (Grandes Ráqueres), e um outro sobre Undergraduation (Graduação) nos quais ele fala com muita sabedoria.

Existe um documento chamado How To Be A Programmer (Como Se Tornar Um Programador) que é um excelente complemento a este aqui. Ele possui conselhos valorosos não somente a respeito de codificação ou habilidades, mas sobre como agir em uma equipe de programadores.

Eu também escrevi A Brief History Of Hackerdom (Uma Breve História da Cultura Ráquer).

Eu escrevi um documento, The Cathedral and the Bazaar (A Catedral e o Bazar), que explica muito sobre como o Linux e a cultura código-livre funciona. Eu enderecei esse tópico de forma mais direta na sua seqüência Homesteading the Noosphere.

Rick Moen escreveu um documento excelente how to run a Linux user group (como rodar um Grupo de Usuários Linux).

Rick Moen e eu colaboramos em um outro documento How To Ask Smart Questions (Como Fazer Questões Inteligentes). Ele irá ajudá-lo a encontrar assistência de tal forma que você provavelmente irá consegui-la.

Se você precisa de ajuda para entender como os computadores pessoais, o Unix e a Internet funcionam veja The Unix and Internet Fundamentals HOWTO. (Os Fundamentos da Internet e do Unix).

Quando você lançar programas ou escrever correções tente seguir o guia Software Release Practice HOWTO (COMOFAZER Prática de Lançamento de Software).

Se você gostou do poema Zen talvez você goste do Rootless Root: The Unix Koans of Master Foo.

Perguntas Mais Freqüentes

Q: Você irá me ensinar a raquear?
Q: Como eu começo então?
Q: Quando você deve começar? É muito tarde para eu poder aprender?
Q: Quanto tempo vai levar para eu aprender a raquear?
Q: Visual Basic ou C# são boas linguagens para começar?
Q: Você me ajudaria a craquear um sistema, ou me ensinar a craquear?
Q: Como eu pego a senha da conta de alguém?
Q: Como eu entro/leio/invado/monitoro a conta de email de alguém?
Q: Como eu posso roubar privilégios de um op em algum canal no IRC?
Q: Eu fui craqueado. Você poderia me ajudar a evitar ataques futuros?
Q: Eu estou tendo problema com o meu software Windows. Você vai me ajudar?
Q: Onde eu posso encontrar ráqueres de verdade para conversar?
Q: Você pode me recomendar livros úteis sobre assuntos relacionados a raqueação?
Q: Eu preciso ser bom em matemática para me tornar um ráquer?
Q: Qual a linguagem que eu devo aprender primeiro?
Q: Que tipo de hardware eu preciso?
Q: Eu quero contribuir. Você me ajuda a encontrar um problema para trabalhar?
Q: Eu preciso odiar e xingar a Microsoft?
Q: Mas software código-livre não vai deixar programadores sem meios de se sustentar?
Q: Como eu posso começar? Onde eu consigo um Unix livre?

Q:

Você irá me ensinar a raquear?

A:

Desde a primeira vez que eu escrevi esta página, eu tenho recebido muitos pedidos por semana (e freqüentemente por dia) de pessoas pedindo "me ensine tudo sobre como raquear". Infelizmente eu não tenho tempo e energia para fazer isso; meus próprios projetos ráquer, e minas viagens como advogado do código-livre toma 110% do meu tempo.

Mesmo se eu pudesse, raquear é uma atitude e um habilidade que basicamente você tera que ensinar à você mesmo. Você vai notar que enquanto ráqueres reais querem ajudá-lo eles não irão respeitá-lo se você implorar para receber tudo o que eles sabem de bandeja.

Aprenda algumas coisas. Mostre que você é capaz de aprender sozinho. Depois vá até um ráquer com questões específicas.

Se você vai mandar um email perguntando um conselho, aqui vão duas coisas que você deve saber logo de cara. Primeiro, nós descobrimos que pessoas preguiçosas ou descuidadas no seu modo de escrever são geralmente muito preguiçosas e descuidadas no seu modo de pensar para se tornarem bons ráqueres — então tome cuidado com a sintaxe, e utilize boa gramática e pontuação, ou então você será provavelmente ignorado. Segundo, não implore pedindo para responder para um ISP diferente da conta que você enviou seu email; nós achamos que pessoas que fazem esse tipo de coisa geralmente são ladrões utilizando contas roubadas, e não temos interesse em recompensar ou assistir ladrões.

Q:

Como eu começo então?

A:

A melhor forma de começar então provavelmente seria ir para uma reunião de um LUG (Linux User Group - Grupo de Usuários do Linux). Você pode encontrar esse tipo de grupo no Página de informações gerais sobre Linux do LDP (LDP General Linux Information Page); provavelmente existe um perto de você, possivelmente associado a uma faculdade ou universidade. Se você pedir, membros de um LUG provavelmente irão lhe dar uma copia do Linux, e certamente irão ajudá-lo a instalar e começar.

Q:

Quando você deve começar? É muito tarde para eu poder aprender?

A:

Qualquer idade na qual você esteja motivado é uma boa idade para começar. A maioria das pessoas começam a ficar interessadas entre os 15 e 20 anos, mas eu conheço exceções em ambas as direções.

Q:

Quanto tempo vai levar para eu aprender a raquear?

A:

Isso vai depender de quão talentoso você é e de quanto você vai se dedicar na tarefa. A maioria das pessoas podem conseguir adquirir habilidades respeitáveis de dezoito meses à dois anos, se elas se concentrarem. Mas não se engane em achar que termina por aí; se você for um ráquer verdadeiro você irá gastar o resto de sua vida aprendendo a aperfeiçoar sua arte.

Q:

Visual Basic ou C# são boas linguagens para começar?

A:

Se você está fazendo essa pergunta está quase absolutamente claro que você está pensando em raquear no Microsoft Windows. Por si só esta é uma má idéia. Quando eu comparei tentar raquear no Windows com tentar dançar com o corpo engessado eu não estava brincando. Não vá para lá. É tudo muito feio, e nunca irá deixar de ser.

Existem problemas específicos com Visual Basic e C#; basicamente elas não são portáveis. Embora existam protótipos de implementações em código-livre dessas linguagens, os padrões ECMA (European Computer Manufacturers Association - Associação Européia de Manufatores de Computadores) aplicavéis não cobrem mais do que uma pequena parte de suas interfaces de programação. No Windows a maioria dos suportes a bibliotecas são propriedades de um único fornecedor (Microsoft); se você não for extremamente cauteloso quanto quais ferramentas utilizar — mais cuidadoso do que qualquer novato é capaz de ser — você irá limitar-se somente as plataformas que a Microsoft desejar suportar. Se você começar no Unix, muitas outras melhores linguagens, com bibliotecas melhores, estão disponíveis

Visual Basic é especialmente terrível. Como os outros BASICS ela é extremamente mal projetada e irá lhe ensinar péssimos hábitos de programação. Não, não me peça para explicá-los em detalhes. Tal explicação encheria um livro. Aprenda um linguagem bem projetada no lugar disso.

Um desses maus hábitos é tornar-se dependente de bibliotecas, ferramentas e ambientes de desenvolvimento de um único fornecedor. Em geral qualquer linguagem que não tenha suporte completo no mínimo no Linux, ou em um dos BSDs, e/ou no mínimo três sistemas operacionais, de fornecedores diferentes, é uma linguagem pobre para se aprender a raquear.

Q:

Você me ajudaria a craquear um sistema, ou me ensinar a craquear?

A:

Não. Qualquer um que ainda pode levantar esse tipo de questão depois de ter lido este FAQ é muito estupido para ser educado mesmo se eu tivesse tempo para ensinar. Qualquer pedido desse tipo recebido será ignorado ou será respondido com total ignorância.

Q:

Como eu pego a senha da conta de alguém?

A:

Isto é craquear. Caia fora, idiota.

Q:

Como eu entro/leio/invado/monitoro a conta de email de alguém?

A:

Isto é craquear. Saia daqui, retardado.

Q:

Como eu posso roubar privilégios de um op em algum canal no IRC?

A:

Isto é craquear. Fuja daqui, cretino.

Q:

Eu fui craqueado. Você poderia me ajudar a evitar ataques futuros?

A:

Não. Sempre que me é feita essa pergunta é de algum pobre coitado rodando o Microsoft Windows. Não é possível garantir segurança efetiva contra ataques de craqueres em sistemas Windows; o código e a arquitetura simplesmente possuem muitas falhas, o que torna a segurança no Windows algo como tentar remar um barco com uma peneira. A única prevenção segura é migrar para o Linux ou qualquer outro sistema operacional que foi projetado para no mínimo ser passível de segurança.

Q:

Eu estou tendo problema com o meu software Windows. Você vai me ajudar?

A:

Sim. Vá para um prompt do DOS e digite "format c:". Qualquer problema que você esteja experimentando irá acabar em alguns minutos.

Q:

Onde eu posso encontrar ráqueres de verdade para conversar?

A:

A melhor forma é encontrar um grupo de usuários do linux ou Unix perto de você e ir para seus encontros (você pode achar links para diversas listas de grupos de usuários na página do LDP (Linux Documentation Project - Projeto de Documentação do Linux), no ibiblio.

(Eu costumava dizer que você não encontraria nenhum ráquer de verdade no IRC, mas eu estou começando a entender que isso está mudando. Aparentemente algumas comunidades de ráqueres verdadeiros, ligados a coisas como GIMP e Perl, possuem canais no IRC agora)

Q:

Você pode me recomendar livros úteis sobre assuntos relacionados a raqueação?

A:

Eu mantenho um COMOFAZER Lista de Leitura para Linux (Linux Reading List HOWTO) que você pode achar interessante. O Loginataka também pode ser útil.

Para uma introdução ao Python, dê uma olhada nos materiais introdutórios (inglês) no site do Python.

Q:

Eu preciso ser bom em matemática para me tornar um ráquer?

A:

Não. O raquear utiliza quase nenhuma matemática formal ou aritmética. Em particular você não vai precisar de trigonometria, cálculo ou análise (existem exceções no tratamento de aplicativos de áreas específicas, como computação gráfica). Conhecer alguma lógica formal e álgebra Booleana é bom. Alguma base em matemática infinita (incluindo teoria finita, combinatória e teoria de gráficos) pode ser útil.

Muito mais importante: você precisa ser capaz de pensar logicamente e seguir cadeias exatas de raciocínio exatamente como os matemáticos fazem. Enquanto o conteúdo da matemática não vai ajudá-lo, você vai precisar da disciplina e inteligência utilizada por ela. Se te falta inteligência, existe pouca esperança para você como um ráquer; se te falta disciplina é melhor desenvolvê-la rapidamente.

Eu acho que uma boa forma de descobrir se você tem o que é necessário é conseguir uma cópia do livro de Raymond Smullyan O que é o nome desse Livro? (What Is The Name Of This Book?). Os divertidos jogos de advinhações lógicas de Smullyans encaixam-se muito bem no espírito ráquer. Ser capaz de resolvê-los é um bom sinal; apreciar a resolução dos mesmo é um sinal melhor ainda.

Q:

Qual a linguagem que eu devo aprender primeiro?

A:

XHTML (o mais recente dialeto HTML) se você já não o conhece. Existem muitos livros ilustres, péssimos super-intensivos sobre HTML por aí, e, amargantemente, poucos livros bons. O que eu mais gosto é o HTML: The Definitive Guide.

Mas HTML não é uma linguagem de programção completa. Quando você estiver pronto para começar a programar eu recomendo Python. Você vai ouvir um monte de pessoas recomendando Perl, e Perl ainda é mais popular do que Python, mas é mais difícil de aprender e (na minha opinião) menos bem projetada.

C é muito importante, mas é muito mais difícil que Python ou Perl. Não tente aprender ela primeiro.

Usuários do Windows, não tentem Visual Basic. Irá ensiná-los maus hábitos e não é nada portável fora do Windows. Evite.

Q:

Que tipo de hardware eu preciso?

A:

Era comum computadores pessoais serem pouco poderosos e de baixa-memória, a tal ponto que era possível deixar limites artificiais no processo de aprendizado de um ráquer. Isso deixou de ser verdade a algum tempo. Qualquer máquina da Intel 486DX50 ou melhor é mais do que poderosa para desenvolver trabalhos, X e comunicação com a Internet; e os menores discos que você pode comprar hoje são mais do que suficientes.

O ponto importante na escolha da máquina na qual você irá aprender é o fato de seu hardware ser compatível com o Linux (ou compatível com BSD, se você escolher esse caminho). Novamente isso já é garantido para a maioria das máquinas modernas. O grande problema estão nos modems; algumas máquinas possuem modems específicos para Windows que não irão funcionar com o Linux.

Existe um FAQ para compatibilidade de hardware; a versão mais recente se encontra aqui.

Q:

Eu quero contribuir. Você me ajuda a encontrar um problema para trabalhar?

A:

Não por que eu desconheço seus talentos e interesses. Você deve possuir auto motivação ou não haverá acordo, e por isso o porque de sempre dar errado quando outras pessoas tentam escolher o seu caminho.

Tente o seguinte. Dê uma olhada nos anúncios de projetos no Carnefresca (Freshmeat)por alguns dias. Quando você olhar algo que lhe faça pensar “Boa! Eu adoraria trabalhar nisso!”, participe.

Q:

Eu preciso odiar e xingar a Microsoft?

A:

Não, você não precisa. Não que a Microsoft não seja escrota, mas já existia uma cultura ráquer antes da Microsft e ainda irá existir uma muito depois da Microsoft virar história. Qualquer energia que você desperdiçar odiando a Microsoft seria melhor desperdiçada no amor a suas habilidades. Escreva bons códigos — isso irá envergonhar a Microsoft o suficiente sem poluir o seu karma.

Q:

Mas software código-livre não vai deixar programadores sem meios de se sustentar?

A:

Isto não parece acontecer — até hoje a industria de software código-livre parece estar gerando mais empregos do que acabando com eles. Se ter um programa escrito é um ganho de economia na rede sobre o fato de não ter um programador irá ser pago por um programa depois de pronto mesmo este sendo ou não código-livre. E, não importa o quão "livre" os programas são escritos, sempre irá existir demanda para novas e customizadas aplicações. Eu escrevi mais sobre isso na página da Código-Livre (Open Source).

Q:

Como eu posso começar? Onde eu consigo um Unix livre?

A:

Em outros lugares nesta página eu inseri ponteiros nos quais você pode pegar o mais famoso e utilizado Unix livre. Para ser um ráquer você precisa de motivação, iniciativa e a habilidade de educar você mesmo. Comece exatamente agora...

Sobre a tradução para o Português do Brasil

Este documento é a tradução para português do Brasil do original How To Become A Hacker (Como Se Tornar Um Ráquer) escrito por Eric S. Raymond. Esta seção foi escrita pelo tradutor na tentativa de esclarecer e discutir algumas questões que ele considera relevante e não tem nenhuma ligação com o autor.

(This is the Brazilian Portuguese translation of the howto document How To Become A Hacker originally written by the author Eric S. Raymond, in accordance to the author's agreement and recommendations for translating his documents. This section was written by the translator in order to discuss and clarify some points about the translation itself, and has nothing to do with the author or the original document.)

Por que esta tradução?

O interesse em traduzir o documento de ESR nasceu do meu próprio interesse nos ráqueres, no papel primordial que eles tem na história da computação, e no seu espírito de fazer as coisas. Depois de uma pequena pesquisa rápida pela rede ficou claro pra mim a importância de um documento desse tipo. A grande meta (talvez até fantasiosa) da desmistificação do que são os ráqueres — tema ainda bastante controverso — e o que eles de fato fazem.

Uma segunda motivação (talvez menos objetiva do que a primeira) está no meu interesse de garantir, a todo custo, que verdades particulares sejam sempre priorizadas no lugar de generalizações quando estas são aparentemente mais uteis, menos prolixas e suficientes. Particularmente o Brasil, país o qual a tradução se aplica mais diretamente, possui um alto nível desse tipo de atitude pouco criteriosa, principalmente por causa do baixo nível de esclarecimento geral e do poder da mídia de massa (algo que acredito não ocorrer somente no Brasil).

"Essa tradução está péssima."

Bem, "Como se Tornar um Ráquer" já existe a pelo menos uns cinco anos e eu nunca recebi esse tipo de comentário tão diretamente. Mas acredito que essa opinião exista. Isso porque essa história de ráqueres causa bastante balbúrdia entre a maioria das opiniões; das mais apaixonadas até as mais desleixadas. Poucas de um interesse real em compreender, de fato, o que é a raqueação.

É óbvio que a tradução está para todo o público interessado e não somente a minoria criteriosa. E mesmo aqueles que procuram informação na mais pura humildade e fidelidade podem se sentir desagradados desse documento ante a versão original. É aqui que eu assumo o caráter amador do meu trabalho. Não são um tradutor profissional. Mas no entanto gostaria de expressar o meu sincero desejo em receber o comentário acima por parte de quem o tem. Com as devidas razões, é claro. Estou pedindo um diálogo e não uma inquisição.

Mesmo me livrando de qualquer cobrança quero também dizer que fiz aqui um trabalho sincero. Desde no que diz respeito a minha decisão de traduzir certos termos de forma não usual até certas adaptações de expressões idiomáticas ou termos técnicos. Acredito que fiz um trabalho descente e adoraria (com e sem irônia) ver alguém dizer o contrário.

Sobre o Autor

O documento original, e todo os seus direitos, pertencem ao autor; a tradução foi construída por:

João Victor D. Martins JVDM's Web Home,

É importante dizer que caso você tenha alguma coisa a dizer sobre o conteúdo do documento, sugestões a respeito do que ele trata, dúvidas sobre os ráqueres, ou sobre o que deveria ser dito aqui você deve mandar uma mensagem para o autor, e não para o tradutor (eu).

Lembrando que essa tradução possui uma série de notas espalhadas no documento tratando da discussão de termos, opiniões divergentes e temas relevantes. Fonte de respostas valiosas sobre a tradução antes de você entrar em contato comigo.



[1] Como tradutor amador e falante da língua Portuguesa assumi uma postura especial que resultou em uma decisão incomum na tradução da palavra hacker. Adaptei hacker, via um neologismo calcado na similaridade fonética, para a palavra ráquer, assim como seus derivados (raqueres, raqueação, raqueado). Aparentemente esse é um processo natural (e coerente) das línguas que face a um novo conceito estrangeiro adaptam-se, ou criando um termo com familiaridade semantica-morfológica (a exemplo apagão (black-out), ou simplificam a grafia via similaridade fonetica (a exemplo sutiã, bife, futebol). Talvez a estranhesa que ráquer provoca esteja na aparente artificialidade causada pela minha aceleração forçada em um processo que é naturalmente longo.

Essa postura especial nada mais é do que uma atitude de valorização e enriquecemento do Português Brasileiro. Atitude essa que me impede de simplesmente olhar palavras estrangeiras espalhadas em textos, noticiários, livros, e em uma oportunidade reproduzir esse crescente onda de estrangeirismos idiota que é capaz até de evitar velhas e boas palavras do vernáculo por uma palavrinha estranha em Inglês.




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